

Será que eu sou “A Estranha”? Será que eu sou diferente? Tão diferente? As diferenças me parecem ser normais, mas agora me indaguei de forma tão profunda que realmente estou empolgada em descobrir a resposta. Meninas, são meninas. Se parecem com meninas, andam como meninas, pensam como meninas, agem como meninas, sentem como meninas (o mais importante). E eu? Ando como um menino, penso como um menino, ajo como um menino e sinto como um menino. Seria tão difícil me decidir? Ou isso não dependeria necessariamente de mim? Dependeria do jeito como as pessoas me olham?! Nunca fui uma menina normal, nunca ouvi músicas de menina, eu nunca fiquei com um menino que interessasse a maioria das outras meninas, nunca quis ter um quarto rosa, nem mochila da Barbie. A maioria delas passa maquiagem para ficarem mais bonitas para as amigas ou para o menino que gosta, coloca roupas bonitas e caras para sair com as amigas, vão para o shopping, dormem na casa umas das outras… umas infinidade de coisas que eu poderia muito bem listar aqui, mas isso só me tornaria ainda mais infeliz por me sentir diferente. Sempre tive gostos esquisitos, sempre me mostrei ímpar. Deveria eu agora mudar minha personalidade? (Por que todas as vezes eu caio nas mesmas questões? Será por quê eu nunca consigo resolvê-las?). Eu só faço perguntas, nunca tenho respostas pra nada. Meus pensamentos nunca são concluídos, por isso volto sempre do zero. Que droga!
I.C.
É pedir demais alguém que preste atenção?
Meninas me irritam, me entediam, me enchem o saco! Sempre com a mesma conversinha, principalmente: “Ah amiga, me ajuda. Ele não me quer mais, eu sei que ele não presta mas eu gosto dele!”. Ah, vá catar coquinho, eu não sou obrigada a ouvir esse tipo de assunto em todas as conversas. Ninguém merece olhar pra uma legião de garotas totalmente IGUAIS. É pedir demais uma garota diferente? Que seja diferente por dentro por fora, que tenha outros tipos de ideias, outros assuntos. É pedir demais ter ela?
I.C.
É horrível você se sentir impotente quanto a uma pessoa. Principalmente se sua intenção for protegê-la. Queria muito poder te abraçar sem preocupações, sem pensar no que os outros vão pensar (e dizer, automaticamente), sem um “mas…”. Queria ter certeza de fazer a coisa certa, ter certeza da reciprocidade entre nós. queria poder fazer o que gostaria de fazer. O que imaginei fazer. Mas isso é inviável se você não quer, se você não me ajudar. Eu te amo tanto, mas… existe a dúvida.
I.C.